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Uivo da Loba |
Um dia viu-me ver uma janela.
Deixou que me deixasse ficar na nostalgia cúmplice da visão das crianças que adiante corriam e gritavam e sabiam estar numa vida sem estradas de asfalto a doer os pés descalços.
Reaproximei da voz íntima que perpassava o vidro frio da janela inexistente.
Um dia ouviu-me ouvir a súplica distante que dizia
"retorna-me àquele tempo, deixa-me também perder as estradas e correr disparada até que
nenhuma porta enjaule,
nenhuma janela importe"
Um dia travou meu impulso de me jogar ao desejo de transpor vidro, batente e trava.
Transpor e cair.
Cair ou voar.
...
Um dia impediu meu corpo impune e fez minha palma tocar ao leve a janela.
Sumi as crianças.
Desfoquei a rua.
O mundo se tornando em ritmo de soro o meu reflexo difuso.
Um dia me reaproximei de sua voz sussurrada que dizia
"aprende a gostar do vidro
antes de partir ao mundo."
Texto da página Poesia & Nanquim
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