A mãe choveu sobre as prisões e os cemitérios. Ui.
A mãe choveu sobre os hospitais, as paragens de autocarro, as estações de comboio, os jardins, as estátuas, as igrejas, as mesquitas, as sinagogas, os templos, as fábricas, as lojas, os terrenos vazios, os edifícios em obras, os hotéis, os museus, os teatros, os cinemas, as varandas, os terraços, as esplanadas, as praias, as montanhas, as tendas de circo, as tendas de campismo, as cabanas, as barracas, as lixeiras.
A mãe choveu sobre os guarda-chuvas, as cabeleiras, as carecas, os chapéus e os bonés. A mãe choveu desesperada por todo o lado, mas não o encontrou.
Então, de repente, então-então, a mãe começou a sentir uns pés a atravessarem-na.
Depois, umas pernas.
Era o seu filho que descia de pára-quedas através dela.
Sorriram um para o outro.
A mãe, cansada, aliviada, feliz, continuou a chover muito mansinha.
Não queria chover demasiado.
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A Mãe que Chovia |
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