UIVANDO PELO MUNDO ...

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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Tempo que Foge

Tempo que foge
Contei meus anos e descobri que (talvez) terei menos tempo para viver daqui
para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas...
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar
da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo
de secretário geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa…
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua
mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!


Texto de Ricardo Godim

# A palavra "talvez" foi acrescida ao texto por minha conta.

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domingo, 27 de novembro de 2016

Gosto

Gosto do brilho dos teus olhos, dos teus tormentos, dos teus demônios, da profundeza da tua alma, dos teus mergulhos e teus delírios. Do teu jeito de encontrar tesouros na escuridão.

Gosto das tuas ideias, teus pensamentos, da tua contradição. Gosto dos teus equívocos, dos teus espantos e do teu desejo de ir além.

Gosto dos teus temperos, teus desatinos, da tua ira, tua loucura, dos teus escudos, tuas esquivas. Da sensibilidade que é tua cura, que te envenena, que te mata e fortalece, que te faz ser mais.

Gosto do teu gosto, do teu gozo, do teu sexo, dos teus cheiros, da tua pele em carne viva que sangra, que grita e vibra.

Gosto da tua língua, teu idioma, da força das tuas verdades, dos teus enredos, tuas mentiras, tua maldade. Gosto dos teus sentidos, dos teus opostos, das tuas lutas, tua coragem, teu santo forte, tua lealdade, do jeito fiel de seguir teu coração.

Gosto dos motivos por que gosto de ti.


Pra ti meu lindo... sempre pra ti.


Texto do blog Bastidores do Cotidiano

Em 22-11-2012

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Vive O Instante Que Passa.


Vive o instante que passa.
Vive-o intensamente até à última gota de sangue.
É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. Porque nunca mais ele será o mesmo nem tu que o estás vivendo.
Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti.
Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento.
Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica. E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és.
Assim o dom estúpido e miraculoso da vida não será a estupidez maior de o não teres cumprido integralmente, de o teres desperdiçado numa vida que terá fim.


Vergílio Ferreira.


Texto retirado da Página Lua Poética

Boa noite meus blogue amigos, ando ausente eu sei, mas de fato o tempo me está escasso, mas acredito que até o fim do mês e começo de Dezembro já retorno a ativa no blogue, deixo bjuivos no coração de todos.

Loba.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Mãos

Tuas mãos, alecrim
Teus cabelos, Mar
O sal da Terra
Sol
Quando no caos nada me resta, a não ser a dor de minha própria solidão é aí que me encontram as tuas mãos!

Loba.

Para ti meu lindo, sempre para ti Carlos Antunes.


Poema escrito por mim em 07-10-2014



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Canta

Canta

Atreve-te a julgar. Julga os outros julgando-te a ti mesmo.
A natureza das coisas é a tua natureza. Respira-te, despe-te,
faz amor com as tuas convicções, não te limites a sorrir
quando não sabes mais o que dizer. Os teus dentes estão
lavados, as tuas mãos são amáveis, mas falta-te decisão
nos passos e firmeza nos gestos. Procura-te. Tenta encontrar-te
antes que te agarre a voracidade do tempo. Faz as coisas com
paixão. Uma paixão irrequieta, que não te dê descanso
e te faça doer a respiração. Aspira o ar, bebe-o com força,
é teu, nem um cêntimo pagarás por ele. Quanto deves
é à vida, o que deves é a ti mesmo.
Canta.
Canta a água e a montanha e o pescoço do rio,
e o beijo que deste e o beijo que darás, canta
o trabalho doce da abelha e a paciência com que crescem
as árvores, canta cada momento que partilhas com amigos,
e cada amigo como um astro que desperta
no firmamento breve do teu corpo.
E canta o amor.
E canta tudo o que tiveres razão para cantar.
E o que não souberes e o que não entenderes, canta.
Não fujas da alegria. A própria dor ajuda-te a medir
a felicidade. Carrega nos teus ombros
os séculos passados e os séculos vindouros,
muito do pó que sacodes já foi vida, talvez beleza, orgulho,
pedaços de prazer. A estrela que contemplas talvez já não
exista, quem sabe?, o que te ajudou a ser vida
de quantas vidas precisou. Canta!
Se sentires medo, canta.
Mas se em ti não couber a alegria, não pares de cantar.
Canta. Canta. Canta. Canta. Canta. Constrói o teu amor,
vive o teu amor, ama o teu amor. De tudo
o que as pessoas querem, o que mais querem é o amor.
Sem ele nada nunca foi igual, nada é igual,
nada será igual alguma vez.
Canta.
Enquanto esperas, canta.
Canta quando não quiseres esperar.
Canta se não encontrares mais esperança.
E canta quando a esperança te encontrar.
Canta porque te apetece cantar e porque gostas
de cantar e porque sentes que é preciso cantar.
E canta quando já não for preciso. Canta
porque és livre. E canta se te falta
a liberdade.


Joaquim Pessoa, in Vou-me Embora de Mim (Litexa, 2002)


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terça-feira, 19 de abril de 2016

Eu - Mulher

Eu-Mulher

Uma gota de leite
me escorre entre os seios.
Uma mancha de sangue
me enfeita entre as pernas.
Meia palavra mordida
me foge da boca.
Vagos desejos insinuam esperanças.
Eu-mulher em rios vermelhos
inauguro a vida.
Em baixa voz
violento os tímpanos do mundo.
Antevejo.
Antecipo.
Antes-vivo
Antes – agora – o que há de vir.
Eu fêmea-matriz.
Eu força-motriz.
Eu-mulher
abrigo da semente
moto-contínuo
do mundo.

Conceição Evaristo, em "Poemas da recordação e outros movimentos". Belo Horizonte


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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Borboletas

Borboletas

Borboletas me convidaram a elas.

O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu.

Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens e das coisas.

Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta seria, com certeza, um mundo livre aos poemas.

Daquele ponto de vista:

Vi que as árvores são mais competentes em auroras do que os homens.

Vi que as tardes são mais aproveitadas pelas garças do que pelos homens.

Vi que as águas têm mais qualidade para a paz do que os homens.

Vi que as andorinhas sabem mais das chuvas do que os cientistas.

Poderia narrar muitas coisas ainda que pude ver do ponto de vista de uma borboleta.

Ali até o meu fascínio era azul.



Manoel de Barros, no livro “Ensaios fotográficos”. Rio de Janeiro: Record, 2000.
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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Asas de Fêmea

Asas de Fêmea
Disseram a Ela
ainda na casca
do ovo:
não voe
não ouse
não use batom vermelho!
O ovo era vidro e se quebrou.
As asas irromperam
nos lábios
pequenos e grandes
pingos de sol
escorreram
por sua face

Lou Albegaria


terça-feira, 12 de abril de 2016

Ponto de Honra

Ponto de Honra

Desassossego a paixão
espaço aberto nos meus braços
Insubordino o amor
desobedeço e desfaço
Desacerto o meu limite
incendeio o tempo todo
Vou traçando o feminino
tomo rasgo e desatino
Contrario o meu destino
digo oposto do que ouço
Evito o que me ensinaram
invento troco disponho
Recuso ser meu avesso
matando aquilo que sonho
Salto ao eixo da quimera
saio voando no gosto
Sou bruxa
Sou feiticeira
Sou poetisa e desato
Escrevo
e cuspo na fogueira


Maria Teresa Horta

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No Caminho Com Maiakóvski

No Caminho Com Maiakóvski

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!

Eduardo Alves da Costa
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sábado, 9 de abril de 2016

O Esconderijo

O Esconderijo

Mulher é sempre mais perigosa;
pois guarda um esconderijo dentro de si.
E guarda
todas as horas, e os filhos
que não se tornaram óvulos. E
os homens que não se tornaram amor.
E os que vingaram
foram expulsos do paraíso – como os anjos
rebeldes: eu & você
e este desejo de fazer a revolução
empunhando a palavra – Amor!
:
Depois,
abre-se a mão, abre-se o útero:
e voltamos ao paraíso! Ou,
é só um outro modo de se esconder?

Lou Albergaria


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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Como Árvore que Sou

Como Árvore que Sou
Como árvore que sou
adormeço a sossegar as minhas folhas e
os pássaros transparentes que se agitam nos ninhos
da minha inquietação.
Sei de cor os sonhos dos ventos
que balançam este corpo tronco
onde dedos vegetais bastam
o rumor das seivas silenciosas. A noite
propaga o ardor da ternura até às minhas raízes
que vão bebendo lentamente as lágrimas de um vento azul,
cuja dor deambula sobre as pedras, em oração à terra,
para vir confortar-se em silêncio no mais fundo de mim.
Escondo por dentro do nada os segmentos de estrelas
que restaram da partida dos pólenes. Flutuam
na quietude das noites claras onde a chama do leito
de açúcares permanece, visível no limbo da noite.
Demoro neste entorpecimento idealizado o termo, os
renovados filhos da gravidez da terra
e do incontrolado cio dos relâmpagos. Em mim
o verde se transforma em música, essa música sem tempo,
que lembra toda a noite da floresta, toda a serenidade
dos lagos, toda a doçura do ventre das baías.
Como árvore que sou, amo o vôo do pássaro e a
lonjura da terra. E sou a terra. E sou o pássaro.
E a raiz do amor. E a raiz da sombra. E a raiz solar
que me erguerá até à luz que me fascina
e me beija docemente a cabeleira lavada
de esperança. Sou a árvore. Um rio
de vida que sobe lentamente
as colinas do céu.


Lília Tavares e Joaquim Pessoa(a publicar)

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sábado, 12 de setembro de 2015

Láurea

Acho graça e afrouxo o riso

sua tentativa vã

copia meu jeito, reproduz meu verso

tenta sem jeito ser dona do universo

há, isso não dá

tentar imitar não é ser

mas vou ajudar como pode fazer

a receita vou passar:

Muita coragem e valentia

Elegância e sabedoria

Atrevimento e ousadia

Honestidade e galhardia

Fé para todos os dias

Brincar na chuva e sambar na tempestade

Personalidade e originalidade

Entender o que é dignidade

Compreendo que seja difícil

por mais que tente é outra realidade

Quem sabe um dia

Numa outra eternidade

Nem toda larva vira borboleta

Mas é digno tentar.


Loba
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domingo, 12 de julho de 2015

Gargalhada

Gargalhada
Quando me disseste que não mais me amavas,
e que ias partir,
dura, precisa, bela e inabalável,
com a impassibilidade de um executor,
dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias…
Mas olhei-te bem nos olhos,
belos como o veludo das lagartas verdes,
e porque já houvesse lágrimas nos meus olhos,
tive pena de ti, de mim, de todos,
e me ri
da inutilidade das torturas predestinadas,
guardadas para nós, desde a treva das épocas,
quando a inexperiência dos Deuses
ainda não criara o mundo…

Guimarães Rosa
Http://Uivodaloba.blogspot.com

sábado, 13 de dezembro de 2014

Vem,
Te direi em segredo
Aonde leva esta dança.
Vê como as partículas do ar
E os grãos de areia do deserto
Giram desnorteados.
Cada átomo
Feliz ou miserável,
Gira apaixonado
Em torno do sol.
Rumi – Poemas Místicos
Uivo da Loba

terça-feira, 7 de outubro de 2014

"Pulsam em mim tamanhas transformações
que já não sei se sou casulo ou mariposa
se vôo ou se teço!
Há tantos fios e coloridos
que na tela do meu ser
existe asas furta-cores
e colchas coloridas cobre o corpo
que por leve estar
passeia entre sonhos e nuvens
entre pétalas e pólens
deixando rastro perfumado
nas estradas que trilho
espalhando suavidades
nas mãos que toco!
E quando assim não mais for
que mais mutações surjam
levando o que não mais servir
permitindo florir
novas cores
novas flores
novos caminhos!"

Rose Kareemi Ponce

"De seguro,
Posso apenas dizer que havia um muro
E que foi contra ele que arremeti
A vida inteira.
Não. Nunca o contornei.
Nunca tentei
Ultrapassá-lo de qualquer maneira.

A honra era lutar
Sem esperança de vencer.
E lutei ferozmente noite e dia.
Apesar de saber
Que quanto mais lutava mais perdia
E mais funda sentia
A dor de me perder."

.
Miguel Torga. Depoimento. In: Diário XIII
Miguel Torga
"Tens medo de fazer amor comigo?
- Tenho - respondeu ele.
- Por eu ser preta?
- Tu não és preta.
- Aqui, sou.
- Não, não é por seres preta que tenho medo.
- Tens medo que eu esteja doente...
- Sei prevenir-me.
- É porquê, então?
- Tenho medo de não regressar. Não regressar de ti."

.
Mia Couto. In: Venenos de Deus, Remédios do Diabo
Mia Couto
Aquele que deseja continuamente ‘elevar-se’ deve esperar um dia pela vertigem. O que é a vertigem? O medo de cair? Mas porque sentimos vertigem num mirante cercado por uma balaustrada? A vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio embaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados.

Em A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera.
No início,
eu queria um instante.
A flor.
Depois,
nem a eternidade me bastava.
E desejava a vertigem
do incêndio partilhado.
O fruto.
Agora,
quero apenas
o que havia antes de haver vida.
A semente.

Mia Couto, In Idades cidades divindades.

E AS LOUCAS HORAS

NÃO COMPRE ANIMAIS, ADOTE!!!BICHO É TUDO DE BOM .

NÃO COMPRE ANIMAIS, ADOTE!!!BICHO É TUDO DE BOM .