Como árvore que sou
adormeço a sossegar as minhas folhas e
os pássaros transparentes que se agitam nos ninhos
da minha inquietação.
Sei de cor os sonhos dos ventos
que balançam este corpo tronco
onde dedos vegetais bastam
o rumor das seivas silenciosas.
A noite propaga o ardor da ternura até às minhas raízes
que vão bebendo lentamente as lágrimas de um vento azul,
cuja dor deambula sobre as pedras, em oração à terra,
para vir confortar-se em silêncio no mais fundo de mim.
Escondo por dentro do nada os segmentos de estrelas
que restaram da partida dos pólenes.
Flutuam na quietude das noites claras onde a chama do leito
de açúcares permanece, visível no limbo da noite.
Demoro neste entorpecimento idealizado o termo, os
renovados filhos da gravidez da terra
e do incontrolado cio dos relâmpagos.
Em mim o verde se transforma em música, essa música sem tempo,
que lembra toda a noite da floresta, toda a serenidade
dos lagos, toda a doçura do ventre das baías.
Como árvore que sou, amo o voo do pássaro e a
lonjura da terra. E sou a terra. E sou o pássaro.
E a raiz do amor. E a raiz da sombra. E a raiz solar
que me erguerá até à luz que me fascina
e me beija docemente a cabeleira lavada
de esperança. Sou a árvore. Um rio
de vida que sobe lentamente
as colinas do céu.
Lília Tavares e Joaquim Pessoa(a publicar)
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4 comentários:
Olá! Vim através do blog da Elaine. Sou uma árvore querendo expandir seus galhos na blogosfera.
Que bonito Valéria.
Penso que somos estas arvores sedentas da água que regenera, que dá vida e anseiam pelos pássaros com som de amanhecer.
Muito lindo querida amiga.
Bjs de paz.
Anabela obrigada pela visita carinhosa, bjuivos no seu coração.
Toninho que bom que gostou e vc sempre engrandece o poema com sua sensibilidade ímpar. Um bjuivos no seu coração e ótimo fds pra ti e família.
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