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Poema Nonagésimo Quinto (excerto) |
Uma fome de tudo, uma fome de todos.
Fome do que és, do que pensas, do que estás
pronto para pensar. Dos que ficam. Dos que partem
e dos que os acompanham. Das coisas bem e mal feitas,
do silêncio, dos tambores, e dos tambores do silêncio.
Fome do pecado, do fogo, do espanto e do azul.
Fome de mim, de ti. De fúria. De futuro. E das coisas
que não sabem nem encontram o caminho. Dos que
rezam, dos que cantam, dos que seguem as estrelas
e dos que olham o passado sobre os ombros de um tempo
que se busca a si mesmo. A fome litoral dos oceanos,
a fome dos homens da floresta e dos pássaros brancos
casados com o mar.
Joaquim Pessoa
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